quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

SAO PAULO - SANTOS - BERTIOGA (fica pra proxima)

São Paulo, Bairro de Pinheiros, 6:20 da manhã de 23 de Janeiro de 2011, manhã iluminada sem uma nuvem no céu é a visão que nenhum ciclista quer ter antes de sair para uma cicloviagem de 140km.

Toca o telefone é a Cláudia Franco dizendo que havia chegado em Pinheiros, logo depois chega Claudia Alves, Daniel, David, Hugo, Octavio, Nuria, Alexandre, Regina e por ultimo o Arnaldo (Prof.Arnaldo), de lá saímos em direção a Ciclovia Pinheiros para encontrar o resto do povo que ia direto para lá.

Chegamos ao ponto de encontro que seria o ponto inicial para encontrar o Napoli, Thomas, Sergio, Henrique, Jose Renato, Ricardo, Rogerio, Eduardo, Patrick e o Andre, sendo que o Napoli ia levar de trem alguns membros do grupo pois não sabiam se aguentariam o trajeto de 150km até Bertioga, neste momento houve um motim no grupo, e fomos num grupo de apenas 6 até o Grajaú, pois a maioria nunca havia passeado de trem na marginal pinheiros.

E assim fomos até o Grajaú, trecho de 20km bom para esticar as pernas para ver como a bike se comporta e testar os freios porque temos um total de 199m de subidas e 154m de descidas ou seja um pedal bem leve sem muitos problemas.

Ao chegarmos no Grajaú encontramos o grupo que estava totalmente frio e querendo muito pedalar e lá comecou o nosso passeio que viria a ser um passeio de 114km e não de 150km.

O trajeto na zona sul de São Paulo, é urbano com boas subidas no meio dos onibus e carros (soltando um monte de fumaça azul, certamente não passou pela inspeção veicular), um trecho chato porque temos alem da poluição temos água de esgoto que cruza a rua e para quem não tem paralamas tem que passar bem devagar. Mas isso tudo muda depois de 5km quando avistamos ao longe a Represa Bilings.

É uma descida de 1,3km até a beira da represa, poluída, mas a poluição está longe de nosso nariz, neste momento o grupo já é outro o espírito do grupo já está formado e o rítimo já está dado.

Agora chegamos na Colonia do Bororé, tambem conhecida como Ilha do Borroré, mas não é uma ilha mas uma peninsula, que tem uma estrada só a qual corta a ILHA e lá chegamos de balsa e de balsa de lá sairemos

Faz calor, mais de 35oC, é hora de passar mais protetor solar, e hidratar MUITO e comer as barrinhas de cereias e as bananas secas. Alguns economizam comida para o longo trajeto que temos a frente, no final do passeio esta atitude vai reduzir o passeio em 40km.

Na estrada do Itaquaquecetuba temos pouco mais de 6km de asfalto com algo em torno de 80mts de altimetria acumulada, como o trajeto comeca e acaba na represa é o trecho mais leve com o ponto mais alto com 47mts acima da represa. Facil e bom para repor energia.

Passamos a segunda balsa da Bilings e agora a brincadeira vai comecar a ficar séria, temos 12km de TERRA, alias terra, brita solta, pedregulho um mix de tipos de terra onde faremos +224mts e -223mts e temos trechos com arvores, sem arvores subidas fortes e descidas muito fortes chegando até a dar 49km/h, ou seja este trecho consome uma boa parte da nossa energia e somos obrigados a parar algumas vezes para repor a hidratação, repor energia em forma de barrinhas e castanha do pará, banana etc... e algumas vezes para irigar as plantas.

Trecho terminado e o comentário é, puxa vida que trechinho bom heim ?.
Traduzindo - FOI BEM PESADO HEIM ?
Parada estrategica sob a imigrantes na sombra para hidratar e comer... e vamos para a estrada...
Fila única, no acostamento, longe dos carros que estão parados ou andando lentamente e isso foi MUITO bom pois o vento a favor nos ajudou a andar a 22km na subida até a interligação, inclusive fomos ultrapassados por alguns speedeiros que viriam a tirar com a nossa cara mais adiante.

Chegando na interligação olhamos a longa volta a percorer e o grupo resolveu subir pelo mato, sábia decisão como veremos a seguir, e quando estamos levanto as bikes morro acima os speedeiros berram lá de cima, "cortar caminho não vale!" e proseguimos, sem dar muito tempo na beira da estrada para que a policia rodoviária não tenha tempo de nos avistar, e fomos pela alça de acesso até a imigrantes descendo na contra-mão pelo acostamento, foi muito seguro pois haviam poucos carros subindo a serra e menos ainda indo para a interligação.

Ao avistar o rancho da pamonha, melhor seria os containers da pamonha, o grupo novamente pede água, e as meninas pedem uma parada estratégica. Lá alguns comem cural, pamonha, coca-cola, água muita água e outros aliviam um pouco do peso nos banheiros.

Saindo do rancho da pamonha em direção a estrada de manutenção fomos novamente pela contra-mão da imigrantes só que o lider, neste caso eu, passei a entrada, e percorremos 1,3km de descida e voltamos os mesmo 1,3km so que subindo 50mts de altimetria, leve não era mas chegamos.

Alias QUASE que o passeio acaba, um integrante do grupo comete uma imprudência advertida por mim mas já era tarde... o GUARDA, sim O GUARDA, o mesmo que havia me parado em 28 de Novembro com o pessoal da demarcação da RMP, mas felizmente ele não me reconheceu, e após o integrante tomar um sabão de 3 minutos o guarda liberou a nossa passagem para a estrada de manutenção, e obviamente eu tê-lo elogiado e dar toda a razão a ele por nosso erro e etc etc... e fomos.. UFA tensão terminada, agora sim, teremos passseio.

A parada foi tão rápido que alguns membros do grupo não viram o guarda.

Entrando no trevinho no alto da serra alguns dizem, ufa vamos comecar a descer LEDO ENGANO, sobe-se 40mts em 1km, como diz o Napoli "Meia Brigadeiro Luiz Antonio", pneu furado e vamos...

Descemos e subimos algumas vezes e a visão é simplesmente maravilhosa, vide as fotos (links no final do texto) vemos a tão e desejada e sonhada PRAIA, mas alguns não sabem que isso iria demorar ainda 4 horas para chegar lá e muitas, mas muita subida, alias como disse o Mauricio em 2009 "Quem foi que disse que isso aqui é descida para Santos ?".

Para voce entender bem o que é a descida da serra pela manutenção, os dados estatisticos são distância 19km, altimetria acumulada de 675mts de SUBIDAS e 1417 de DESCIDAS, não é fácil mas com alforges de 15kg é menos fácil.

Se voce pretende fazer este passeio, não se assuste com estes dados, a estatística é melhor que a realidade.

No meio da estrada tem que tomar MUITO cuidado com algumas coisas.
1. o piso - é musgo verde nas laterais, musgo preto no meio o resto do espaço do piso tem folhas que quando molhadas escorregam e quando secas pode ter uma pedra de baixo ou um pedaco de galho (que derruba qualquer um) ou seja ande LENTO.
2. tem o degrau - é um degrau, apenas um no trajeto todo, mas já derrubou bons ciclistas e já quebrou braços´..
3. carros - sim carros, tanto descendo como subindo, alguns são de pessoas passeando, outros de casais de namorados procurando uma vista.

Tendo isso em mente voce vai tranquilo, houveram trechos que eu cheguei a mais de 50km/h mas eu estava fazendo a minha 3 descida em 2 meses, não fique muito autoconfiante pois no final não tem grade de proteção.

No meio do trajeto chegamos a cachoeira que dei o inovador nome de "Véu de noiva" onde haviam varias pessoas admirando a paisagem outros fazendo despacho, enfim uma grande diversidade, um encontro de culturas.

Mais adiante, após varias subidas, chegamos numa outra cachoeira esta já próxima dos acessos aos bairros "cota" onde encontramos 2 policiais de MOTO fazendo a ronda pois lá existe uma verdadeira PRAIA no fim de semana com, MUITO SOM, e muita criança se divertindo na cachoeira, um ambiente muito familiar, com muitas familias. Só não me lembro se havia um churrasco rolando.

Ou seja para quem acha que a estrada de manutenção não tem ninguem, é deserto, é uma terra de ninguem e é perigoso e tem assaltos e principalmente que é lá onde mora o bicho papão, não se preocupe nos fins de semana com SOL tem polícia de moto fazendo a ronda, houve que me disse que os guardas ainda aproveiram para tirar com a nossa cara.

Terminando o parque, parada estratégica na portaria e hidrata, hidrata, come castanha, barrinha, banana, ... e partimos, partimos em direção do que para alguns é O LUGAR MAIS PERIGOSO DO MUNDO para estes É LÁ A CASA DA BRUXA e sem dúvida alguma O LOBO MAU MORA ALI E FOI ALI QUE ELE ATACOU A CHAPEUZINHO VERMELHO E DERRUBOU A CASA DOS 3 PORQUINHOS (eu nunca entendi isso, ou ele atacou a chapeuzinho ou derrubou as casas dos porquinos ou os comeu).

Mas isso não é verdade, passamos por 1,5km de ruas de terra com crianças brincando na rua, com lojas de tudo quanto é coisa, e moradias onde algumas tem até caminhão na garagem. É uma comunidade carente em tudo principalmente em infra-estrutura, esgoto etc..

Não sofremos ataques de terroristas curdos, nem fomos sequestrados por piratas somálios, nem fomos abduzidos pelo ET de varginha, agora se voce acredita em Saci, ET e Lobo Mau, não faça o passeio, voce certamente vai ficar cançado antes de chegar lá com o seu bixico (bicicleta de rodas de madeira utilizado pelas crianças européias nos primeiros anos de vida).

Passamos por Cubatão, alias paramos no mercado e ali fiz a verificação do estado das carrocerias, e descobri que no grupo haviam pessoas que não chegariam a Bertioga, e resolvemos encurtar o caminho e ficar em SANTOS.
VAN avisada fomos para SANTOS.

O trecho de Cubatão a Santos não tem muito o que dizer, apenas que tivemos avarias por câimbras em alguns pedalantes mas após o auxilio e orientações do nosso querido Napoli O FECHA TRILHA, os pedalantes foram recolocados na direção de Santos e lá fomos..

Em Santos o grupo comecou a perder partes ... Eduardo e Patrick se soltaram e seguiram para Zé Menino, Thomas e Henrique pararam na rodoviária e quando chegamos a Santos (em virtude de MINHA falha de comunicação) o Napoli e o Andre foram para a Pca da Republica para o devido RANGO.

A VAN, aliás O FÁBIO DIRIGINDO A VAN, nos encontrou no canal 3 e lá carregamos as bikes na carreta.

E graças ao ESTACIONAMENTO PATROPI que acolheu nossa VAN pelo pagamento de duas vagas ocupadas, pudemos degustar um peixe, fritas, arroz, lula, CERVEJA, no restaurante republica que não conseguiu montar uma mesa para 16 mas arrumou 4 mesas de 4 lugares.

E a volta ?
Voce quer saber como foi o retorno ... bom isso eu não posso dizer muito porque DURMI !

Ou seja ... um dia de bike, comida, calor, sol, natureza, mato, suor, sobe ladeira, despenca nas decidas e os amigos alias MAIS DO QUE AMIGOS, companheiros de cicloturismo - para tudo tem mastecard mas para isso basta a sua bike.

Parabens a todos que NÃO caíram, pedalaram, empurraram rampa acima, se esticaram das câimbras, reclamaram ... voces foram de mais!

A proxima será a TRILHA SURPRESA, só saberemos onde é a trilha na hora da saída da VAN quem se habilita ?

Aqui voce pode ver as fotos e os filmes do passeio.

Fotos da Nuria no Multiply

Fotos da Claudia no Facebook

Mais fotos de Claudia no Flickr


Fotos de Jorge no Picasa


Video do Prof. Arnaldo


Video da Claudia Franco

Um comentário:

  1. Belo relato. Ja tive o prazer de fazer a Rota Marcia Prado. Seu artigo estilo linha do tempo é extremamente fiel a tudo o que acontece na descida pela estrada de manutenção... aliás concordo plenamente com tudo que relatou no post. Muito bom e completo.

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